O que você precisa saber sobre Mariana Aydar antes do show no Terraiá
Mariana Aydar se apresenta no Terraiá no dia 13 de junho, no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador. O evento, o São João do Terra, acontece nos dias 13 e 14 e reúne também shows de Silva, Coletivo Carcará, Falamansa, Joyce Alane e DJ Libre Ana.
Antes de chegar ao palco, vale conhecer a trajetória de uma das vozes mais importantes do forró contemporâneo no Brasil. Ela é mais surpreendente do que parece.
A boneca que o Rei do Baião deu
Mariana Aydar nasceu em São Paulo, filha da produtora Bia Aydar, que trabalhou com artistas como Lulu Santos e Luiz Gonzaga, e do músico Mario Manga, integrante do grupo Premê. Cresceu no meio musical desde antes de nascer.
Ainda criança, foi com a mãe a uma reunião de trabalho e conheceu Luiz Gonzaga num shopping em São Paulo. O Rei do Baião lhe deu uma boneca de presente. Maior do que ela.
“Ele foi muito legal comigo: muito brincalhão e muito generoso. Eu me apaixonei por aquele homem e fui atrás do que ele cantava”, disse Mariana em entrevista ao Terra. Esse encontro foi tão marcante que, décadas depois, inspirou a letra da música Xote do Destino, lançada por ela em 2025.
Do violoncelo ao triângulo
Apaixonada por Gonzagão na infância, Mariana não foi direto para o forró. Pelo contrário: estudou violoncelo durante a infância e a adolescência, tocou em orquestras e, nas palavras dela, “vivia no conservatório”.
A virada veio no começo da vida adulta, quando o forró universitário começou a fazer sucesso em São Paulo. “Só queria saber de dançar forró. Meu pai fala que a frustração dele foi o fato de eu ter trocado o violoncelo pelo triângulo”, contou ela ao Terra.
O primeiro trabalho profissional como cantora foi como backing vocal do cantor Miltinho Edilberto.
Europa, Seu Jorge e dois Grammy Latinos
Mariana estudou música no Brasil e nos Estados Unidos, morou no exterior e abriu uma turnê para Seu Jorge na Europa antes de voltar ao Brasil e lançar o primeiro álbum, em 2005.
Passados mais de vinte anos desde o disco de estreia, a cantora acumula dois prêmios Grammy Latino. Em 2020, foi premiada na categoria Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa com o álbum solo Veia Nordestina. Quatro anos depois, conquistou o mesmo prêmio com o álbum Mariana e Mestrinho, em parceria com Mestrinho.
O que esperar do show no Terraiá
No palco do Terraiá, Mariana Aydar apresenta um repertório construído ao longo de mais de duas décadas. Para quem acompanha o forró desde o tempo do universitário e para quem descobriu a cantora pelos Grammy Latinos, o show no Museu de Arte Moderna da Bahia reúne essas camadas todas numa tarde de São João em Salvador.
A boneca do Rei e o triângulo que o pai nunca perdoou
Há biografias que parecem construídas por um roteirista cuidadoso. A de Mariana Aydar é uma delas. Filha de produtora musical e de músico, cresceu entre ensaios, bastidores e grandes nomes da música brasileira. Mas o momento que definiu tudo não aconteceu num estúdio nem num camarim. Aconteceu num shopping em São Paulo, quando ela era criança, e Luiz Gonzaga lhe entregou uma boneca maior do que ela.
Esse detalhe poderia ser apenas uma anedota simpática. Mariana não deixou. Décadas depois, transformou a memória numa música, o Xote do Destino, lançado em 2025. A memória virou repertório. O afeto virou arte. E o encontro casual de uma menina com o Rei do Baião se tornou, na perspectiva de hoje, o ponto de origem de uma carreira inteira.
O que chama atenção na trajetória de Mariana é o quanto ela desafia os atalhos narrativos mais fáceis. Não foi criada no Nordeste. Não veio de família humilde em luta contra as adversidades. Veio de São Paulo, de uma família de músicos, estudou violoncelo, tocou em orquestras e viveu no conservatório. O forró chegou não pela origem, mas pela dança. Pelo corpo. Pelo desejo. Quando o forró universitário invadiu São Paulo no começo dos anos 2000, Mariana largou o violoncelo e foi dançar. Seu pai, o músico Mario Manga, nunca se conformou completamente com a troca do violoncelo pelo triângulo, como ela mesma conta.
Essa é uma tensão curiosa: a filha que herda o mundo da música dos pais, mas escolhe a própria música. Que cresce com acesso privilegiado à cultura e opta por um ritmo popular que na época ainda era visto com certa desconfiança nos centros urbanos. Que estuda nos Estados Unidos, abre turnê para Seu Jorge na Europa e, ao voltar, lança um álbum de forró. Dois Grammy Latinos depois, a escolha ficou difícil de questionar.
Para quem acompanha a música brasileira há décadas, a trajetória de Mariana Aydar é ao mesmo tempo familiar e surpreendente. Familiar porque confirma o que qualquer frequentador de shows ao vivo já sabe: a melhor música raramente vem do caminho mais óbvio. Surpreendente porque mostra quanto de invenção há numa carreira que poderia ter sido apenas herdada.
No Terraiá, em Salvador, no dia 13 de junho, o que sobe ao palco é o resultado de tudo isso. Mais de vinte anos de carreira, dois Grammy Latinos e uma boneca enorme de presente que nunca foi esquecida.
Uma menina num shopping em São Paulo.
Um homem enorme com chapéu de couro.
Uma boneca maior do que ela.
O Rei do Baião deu o presente.
Ela foi atrás do que ele cantava.
Trocou o violoncelo pelo triângulo.
O pai nunca perdoou.
Dois Grammy Latinos depois,
ella vai ao palco em Salvador.
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