Quais são as principais tendências do varejo apontadas pelo Latam Retail Show 2026?
O Latam Retail Show 2026 acontece entre 15 e 17 de setembro no Distrito Anhembi, em São Paulo, e chega à sua 11ª edição com uma novidade: a apresentação de 16 pesquisas inéditas sobre o futuro do varejo. Os estudos cobrem inteligência artificial, comportamento do consumidor, construção de marcas, experiência, reputação e novos modelos de negócio.
O evento reúne institutos e empresas como Globo, Ipsos, WGSN, Euromonitor, Troiano, Scanntech, Circana e Gouvêa Inteligência. As pesquisas serão distribuídas ao longo da programação principal e de trilhas temáticas, com apresentações de executivos e especialistas.
Inteligência artificial como fio condutor
O conceito desta edição coloca a inteligência artificial e o modelo Everything as a Service no centro das discussões. Uma das apresentações, da Gouvêa Ecosystem e Mercado&Consumo, avalia o estágio de integração da IA no varejo brasileiro e classifica empresas em cinco níveis de maturidade. Outra, da Globo, analisa como a inteligência artificial está mudando hábitos e decisões de consumo.
A WGSN abre o evento com uma perspectiva diferente: a pesquisa Despertar Sensorial argumenta que o avanço da IA deve ampliar, e não reduzir, a valorização do fator humano, da empatia e das experiências sensoriais até 2028.
Comportamento multigeracional e o consumidor 50+
Uma das pesquisas mais relevantes para quem tem 50 anos ou mais é apresentada pela Circana. O estudo Como Marcas Crescem em um Mercado Multigeracional analisa hábitos, expectativas e critérios de decisão de cinco gerações que convivem no mesmo mercado consumidor.
Outra pesquisa, apresentada no Fórum Economia da Longevidade, foi feita com 1.260 pessoas acima de 65 anos em parceria com os Núcleos de Convivência de Idosos. O estudo, de Luiz Paulo Foggetti e Walter Feldmann, analisa consumo, autonomia financeira, vida digital, saúde, alimentação, sociabilidade e lazer dessa faixa etária.
Marcas regionais, saúde e praticidade
A Troiano apresenta estudo quantitativo com 1.200 entrevistas em oito estados sobre os fatores que aproximam consumidores de marcas locais e regionais. Já a Scanntech traz dados sobre como saúde e praticidade estão transformando as missões de compra e o ticket médio dos consumidores brasileiros.
Relevância e autenticidade em tempos de impaciência
O Gad’ apresenta a 7ª edição do Gad Insights 2026, com dez tendências para gestores. Entre os temas: o papel da IA na decisão de compra, o valor da imperfeição como marca de autenticidade e os riscos do que o estudo chama de “FOMO corporativo”, ou seja, a ansiedade das empresas de não ficarem fora de nenhuma tendência.
A programação completa das 16 pesquisas está distribuída ao longo dos três dias do evento, com sessões na plenária principal e nos palcos temáticos do Distrito Anhembi.
O varejo olha para frente. E quem tem 50 anos está no meio do mapa
Há uma certa ironia no calendário do varejo brasileiro. Enquanto o setor debate com urgência o futuro dos consumidores, uma parte decisiva desse futuro já chegou e tem nome: adultos com 50, 60, 70 anos que compram, decidem, pesquisam, exigem e, muitas vezes, definem o que uma marca vale.
O Latam Retail Show 2026, que reúne em São Paulo 16 pesquisas inéditas sobre o comportamento do mercado, traz pelo menos dois estudos que tocam diretamente nessa realidade. Um deles analisa como marcas crescem em um mercado multigeracional, onde cinco gerações distintas compartilham prateleiras, aplicativos e expectativas. Outro foi feito com 1.260 pessoas acima de 65 anos e investiga consumo, autonomia financeira, vida digital, saúde, sociabilidade e lazer. Não é um estudo de assistência. É um mapa de consumidores ativos.
O que chama atenção não é apenas o conteúdo das pesquisas, mas o fato de elas existirem em um evento desse porte. O varejo costumou ignorar ou romantizar o consumidor mais velho. Ignorar quando supunha que não havia dinheiro. Romantizar quando reduzia o assunto a campanhas sentimentais sobre vovós carinhosas. As pesquisas que chegam ao Latam Retail Show 2026 sugerem uma virada: o mercado começa a encarar a longevidade como dado econômico, não como causa social.
Isso muda a conversa. Quando uma pesquisa investiga autonomia financeira de pessoas acima de 65 anos, ela não está perguntando como ajudá-las. Está perguntando como vender para elas, com respeito e eficiência. Quando um estudo analisa vida digital e lazer dessa faixa etária, ele reconhece que essas pessoas têm agenda, desejo e disposição para consumir experiências.
A inteligência artificial ocupa o centro do evento, e isso também é relevante para esse público. Não porque adultos 50+ sejam naturalmente avessos à tecnologia, mas porque a IA está redesenhando a forma como se descobre, compara e decide uma compra. Uma pesquisa da Globo analisa exatamente esse ponto: como a IA está mudando hábitos e decisões de consumo. Outra, da WGSN, argumenta que o avanço tecnológico deve ampliar a valorização do humano, da empatia e do sensorial.
Há aí uma tensão produtiva. O varejo que aposta tudo na automação pode perder o consumidor que quer ser reconhecido, não apenas atendido. O consumidor que exige autenticidade, que o Gad Insights 2026 coloca como tendência, é também aquele que tem repertório suficiente para identificar quando uma marca está fingindo.
O adulto 50+ tem esse repertório. E o varejo, finalmente, parece estar interessado em ouvi-lo.
1.260 pessoas
acima de 65 anos.
Hábitos de consumo.
Vida digital.
Autonomia financeira.
Lazer.
Não é um estudo de cuidado.
É um mapa de quem compra
e sabe o que quer.
Fonte / referência: matéria original
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