Bem Estar 7 de outubro de 2026

Tecnologia e adultos 60+: os benefícios reais e os sinais de que o equilíbrio foi longe demais

O uso da internet entre pessoas com 60 anos ou mais bateu 74,5% no Brasil em 2025, o maior crescimento entre todas as faixas etárias. Os benefícios são reais. Os excessos também.

Quais são os benefícios do uso de tecnologia por adultos com 60 anos ou mais?

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, mostram que 74,5% das pessoas com 60 anos ou mais utilizaram a internet no Brasil em 2025. Um ano antes, esse índice era de 70,1%. O crescimento de 4,4 pontos percentuais em um único ano foi o maior registrado entre todas as faixas etárias do país.

O celular também avançou: 80,3% dos idosos possuíam telefone móvel para uso pessoal em 2025, contra 78,3% no ano anterior.

O que fazem com esse acesso? Conversam com filhos e netos, pagam contas, consomem entretenimento, usam aplicativos de transporte, acessam serviços públicos e participam de redes sociais. A lista é a mesma de qualquer adulto conectado.

O que dizem os especialistas

Para Diego Rodrigues Costa Lana, Mestre em Ciências do Envelhecimento e professor do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, a inclusão digital traz benefícios concretos para quem está na terceira idade.

“A tecnologia pode ser uma grande aliada do envelhecimento quando amplia possibilidades de comunicação, informação e participação social”, afirma o especialista. Segundo ele, o celular facilita o contato com pessoas próximas, ajuda na realização de atividades do cotidiano e contribui para que a pessoa se sinta mais independente e inserida socialmente.

A autonomia é um dos pontos centrais. Aplicativos de banco, serviços públicos, transporte e comunicação permitem que o adulto mais velho resolva demandas do dia a dia com menos dependência de terceiros. Aprender a usar essas ferramentas também estimula o aprendizado contínuo.

Tecnologia mantém vínculos quando o encontro presencial não é possível

A aposentadoria, a distância dos familiares e mudanças na rotina podem reduzir algumas oportunidades de convivência. Chamadas de vídeo, aplicativos de mensagens e redes sociais entram como alternativas para manter o contato.

Diego Lana é direto: “Uma chamada de vídeo ou uma conversa por mensagem não substitui necessariamente o encontro presencial, mas pode aproximar pessoas que estão distantes e ampliar as possibilidades de contato ao longo do dia”.

Quando o uso da tecnologia merece atenção?

Não existe um número exato de horas que determine o ponto de excesso. O sinal de alerta, segundo o especialista, aparece quando a tecnologia começa a ocupar o espaço de outras atividades importantes.

Os comportamentos a observar incluem:

  • Deixar de encontrar pessoas por causa do celular
  • Abandonar hobbies que antes faziam parte da rotina
  • Dormir mais tarde por permanecer no aparelho
  • Sentir irritação ou ansiedade quando não é possível acessar o celular

Mudanças no sono, no convívio social e nos hábitos cotidianos são os indicadores práticos para rever a relação com as telas.

O celular como ferramenta, não como substituto

A conclusão do especialista é clara: “Não se trata de afastar o idoso da tecnologia. Pelo contrário, a inclusão digital pode proporcionar autonomia, aprendizado e novas formas de socialização. O importante é que o celular seja mais uma ferramenta dentro de uma rotina diversificada, e não a principal ou única fonte de lazer e interação social”.

Convivência com familiares e amigos, participação em atividades sociais e outros hábitos presenciais continuam sendo parte de uma rotina equilibrada. A tecnologia entra como complemento, não como substituto.

Os dados do IBGE mostram que adultos com 60 anos ou mais já chegaram à internet. A questão, agora, não é se eles usam, mas como usam.

Conectados por escolha: o que o crescimento digital dos 60+ revela sobre autonomia e pertencimento

Em 2025, três em cada quatro brasileiros com 60 anos ou mais usam internet. Não é uma estatística tímida. É o maior crescimento registrado entre todas as faixas etárias do país, segundo o IBGE. E ainda assim, quando o assunto é tecnologia e envelhecimento, a primeira imagem que surge costuma ser a de alguém perdido diante de uma tela, precisando de ajuda para criar senha.

Há uma defasagem entre o que o dado revela e o imaginário que persiste.

A matéria que sustenta esses números não trata de inclusão digital como caridade ou conquista heróica. Trata de uso cotidiano: banco, transporte, mensagem para o neto, serviço público, entretenimento. O mesmo repertório de qualquer adulto conectado. A diferença está no crescimento, que foi mais veloz nessa faixa do que em qualquer outra.

O que move esse crescimento? Autonomia, em boa parte. Aprender a pagar uma conta pelo celular, marcar uma consulta por aplicativo ou receber uma chamada de vídeo de quem mora longe são formas de manter o controle da própria vida. Diego Rodrigues Costa Lana, especialista em ciências do envelhecimento, coloca de forma direta: a tecnologia contribui para que a pessoa se sinta mais independente e inserida socialmente. Não é romantismo. É função.

Mas a matéria também abre uma tensão real. O mesmo instrumento que aproxima pode isolar quando passa a ocupar o espaço de tudo o mais. O especialista não aponta um limite em horas, porque o problema não é quantitativo. O sinal de alerta é qualitativo: hobbies abandonados, encontros que deixam de acontecer, sono que cede espaço para a tela, irritação quando o celular some do alcance.

Essa tensão não é exclusiva dos 60+. É uma tensão contemporânea. O que a torna relevante nessa faixa etária é o contexto em que aparece: uma fase de vida que já traz, em muitos casos, alguma redução nas oportunidades de convivência presencial pela aposentadoria, pela distância dos filhos, pelas mudanças de rotina. Quando a tecnologia ocupa o espaço que deveria ser apenas complementado por ela, o efeito pode ser o oposto do que prometia.

A conclusão que a matéria oferece não é nova, mas é honesta: o celular funciona melhor como ferramenta dentro de uma rotina diversificada do que como âncora única de lazer e interação. Isso vale para qualquer idade.

O que os dados do IBGE adicionam a esse raciocínio é a escala. Os adultos com 60 anos ou mais não estão chegando com hesitação ao mundo digital. Estão chegando em volume, com o maior crescimento proporcional do país. A pergunta que fica não é se eles sabem usar a tecnologia. É se o debate sobre envelhecimento vai continuar tratando esse público como alguém que precisa ser ensinado, ou vai começar a reconhecê-lo como um participante ativo de uma transformação digital que já aconteceu.


Três em cada quatro
com 60 anos ou mais
usam internet no Brasil.

O maior crescimento
entre todas as idades.

Mas ainda assim
a primeira imagem
que vem à cabeça
é alguém perdido
diante da tela.

Os números mudaram.
O imaginário ainda não.


Fonte / referência: matéria original