Categoria: Sem categoria
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Quando o cansaço não é só físico
Existe um cansaço que não aparece em exame nenhum. Ele se espalha devagar, primeiro como um peso nos ombros ao fim do dia, depois como uma névoa constante que acompanha da hora em que se acorda até a hora em que se deita. Por fora, a vida segue funcionando. Por dentro, a pergunta muda: em…
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Quando o corpo começa a falar pela vida que você não quer mais
Há um tipo de cansaço que não melhora com fim de semana, folga ou noite bem dormida. Ele acorda junto, atravessa o dia, deita na cama ao lado. Não faz barulho, não derruba de vez. Só vai tirando cor do que antes fazia sentido. Por fora, a rotina segue: trabalho, família, contas, respostas automáticas de…
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O peso silencioso do que deixamos passar
Há momentos em que a vida parece uma mesa ao fim do dia. A xícara pela metade, marcas de tempo na madeira, o casaco esquecido na cadeira. Nada dramático à primeira vista. Mas, de repente, a cena inteira ganha outro peso: não é só mais um café que esfriou, é o rastro concreto do que…
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O que acontece quando o limite deixa de ser aviso e vira postura
Há um momento em que a frase “eu cansei” deixa de ser desabafo e vira eixo. Nem sempre é um rompimento visível, uma conversa difícil, um discurso firme. Às vezes é algo quase invisível: uma chave que passa a girar na fechadura, uma resposta que não vem mais na mesma velocidade, uma disponibilidade que encolhe…
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O que o tempo leva, o que o tempo oferece
Há um momento em que a ficha cai em silêncio: algumas coisas ficaram definitivamente para trás. Não é drama, não é teoria. É só aquele reconhecimento seco, quase burocrático, de que certos dias, certas versões de si e de outros, não vão se repetir. O relógio continua andando, mas por dentro parece haver um ponteiro…
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Quando o silêncio deixa de ser fuga
Há conversas que parecem caminhar, mas andam em círculos. Mesmos argumentos, mesmas promessas, mesmos pedidos de cuidado, de respeito, de presença. Troca-se o exemplo, muda-se o tom, mas a estrutura é sempre a mesma: alguém aponta um limite, o outro se defende, alivia por alguns dias, e logo tudo retorna ao ponto de partida. Com…
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Quando o não é a forma mais adulta de ficar
Há relações em que o afeto parece depender de um tipo específico de silêncio: o da própria necessidade. A pessoa está presente, responde, atende, ajusta horários, cede espaço, engole o incômodo. De fora, tudo soa como maturidade, disponibilidade, “bom coração”. Por dentro, porém, o corpo sabe que há algo errado quando o preço de qualquer…
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Quando o recomeço não faz barulho
Há recomeços que chegam como anúncio: mudança de cidade, fim de um casamento, novo trabalho. São fáceis de contar, cabem em frases prontas, rendem histórias. E há os outros, os que ninguém ficaria sabendo se a própria pessoa não dissesse nada. São passos milimétricos, quase tímidos, que não mudam a paisagem por fora, mas deslocam…
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Quando o ciclo não acaba, esvazia
Há fins que não têm data, cena final ou frase marcante. Eles não se anunciam, não pedem atenção. Só vão ficando mais secos, como uma torneira que continua aberta, mas já não pinga. De longe, parece que ainda há fluxo. De perto, o som do que não cai denuncia: aquilo não corre mais. Na vida…
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Quando o cansaço não passa com uma boa noite de sono
Há dias em que o corpo deita, mas é a vida que não deita junto. O travesseiro recebe a cabeça, o quarto escurece, o silêncio chega, e ainda assim algo segue aceso por dentro, como uma luz fria esquecida na cozinha. O sono vem, às vezes até pesado. Mas o cansaço permanece. Não é o…
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Quando o limite chega antes da explicação
Há relações que não acabam em porta batida, nem em frase definitiva. Elas vão só mudando de volume, como uma música que alguém abaixa devagar. Quando se percebe, a conversa já não é diária, a resposta já não é imediata, a presença já não é certeza. Do lado de fora, quem olha pode chamar de…
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O intervalo que ninguém aplaude
Há um trecho da vida em que o barulho do que acabou ainda ecoa, mas o depois não tem forma. Por fora, a casa é a mesma, a cidade segue igual, o relógio insiste em marcar horas. Por dentro, é como caminhar em um cômodo depois de um desabamento: a poeira baixa devagar, o corpo…
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O cansaço que não passa com sono
Há um tipo de exaustão que não melhora com férias, feriado prolongado ou um fim de semana sem despertador. O corpo deita, fecha os olhos, às vezes até dorme bem. Mas por dentro continua uma espécie de vigília, como se algo não pudesse ser largado nunca. Esse cansaço não nasce de um dia puxado. Ele…
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Quando a dor deixa de mandar
Há dores que não se despedem. Não fazem barulho, não fecham ciclo, não devolvem o que tiraram. Apenas mudam de lugar dentro da vida. Um dia estavam no centro da sala, atravessando qualquer passo. Em outro, sem anúncio, passam a ocupar um canto. Continuam ali, visíveis para quem sabe da história, mas já não mandam…
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A solidão que mora na presença
Há uma solidão que não se revela nas fotos. Por fora, a casa segue cheia, o estado civil não muda, a rotina continua: cama dividida, mesa posta, mensagens trocadas. Quem olha de longe enxerga companhia. Quem está dentro sabe: alguma coisa no encontro se perdeu pelo caminho. É a solidão que nasce não da ausência,…
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Quando insistir vira recusa
Há fins que não chegam com porta batida nem grande desastre. Vêm mansos, quase educados, como quem apenas apaga a luz de um cômodo que já não é mais usado. Por fora, tudo segue parecido. Por dentro, alguma coisa silenciosa se retirou. Entre insistir e recusar o fim existe uma linha que raramente é clara…
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Quando a casa ainda é a mesma, mas a vida em comum já acabou
A mesa está posta para dois, os talheres alinhados, dois copos com água. Vistos de fora, são sinais de rotina compartilhada, de casa viva. Mas o que ocupa o espaço entre um prato e outro não é conversa: é um vazio espesso, feito de notícias rápidas, comentários sobre o tempo, perguntas praticadas sobre o dia.…
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Quando a vida de antes acaba e você continua aqui
A sala parece maior do que antes. Os móveis já não estão todos ali, mas o corpo ainda ocupa a mesma poltrona de sempre. No chão, marcas claras denunciam o que houve: ali ficava o rack, ali a estante cheia de livros, ali o berço, depois a cama, depois nada. A casa mudou de desenho,…
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Quando a agenda está cheia e a vida vazia
A cena é discreta demais para receber nome: uma mesa, uma caneta, uma agenda aberta. De longe, parece vida em andamento. Horários preenchidos, pequenas anotações, lembretes de pagamento, mercado, retorno médico, café rápido com alguém, idas e vindas. Tudo organizado para que o dia passe. No centro disso tudo, porém, existe um lugar que não…
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Quando a casa está cheia e o peito, vazio
Há casas em que nunca falta barulho. Louça batendo na pia, notificação no celular, televisão ligada ao fundo, passos indo e vindo pelo corredor. Tudo indica vida em movimento. Ainda assim, alguém atravessa esses cômodos com a sensação discreta de estar sozinho dentro de um cenário compartilhado. É uma solidão difícil de explicar até para…
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A solidão de quem não tem onde desabar
Há uma solidão que não aparece nas fotos de grupo, nos encontros de família nem nas reuniões bem conduzidas. Ela vive naquele intervalo em que a porta se fecha, o sapato sai do pé e o corpo, ainda em pé, demora alguns segundos a mais para lembrar como se faz para relaxar. É a solidão…
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Quando você fica e a sua geração começa a ir embora
Há um momento da vida em que a contagem muda de eixo. As datas importantes deixam de ser só aniversários e começos, e passam a incluir alta de hospital, notícia de piora, velório marcado em cima da hora. O mundo por fora continua falando de projetos, viagens, novidades. Por dentro, a régua passa a ser…
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Quando a solidão mora dentro da família
Há casas cheias onde ninguém entra de verdade. Vozes nos cômodos, louça batendo na pia, televisão ligada em volume alto. Por fora, tudo indica vida: rotina, compromissos, datas lembradas. Por dentro, alguém atravessa o dia com a sensação de que o que importa mesmo não encontra lugar para ser dito. Não é a solidão da…
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Quando a casa está cheia, mas você se sente como um móvel a mais
Há casas em que nada parece faltar: barulho de televisão, porta batendo, louça na pia, passos de um lado para o outro. Ainda assim, dentro desse cenário cheio, existe quem se sente como o sofá marcado da sala: presente todos os dias, sustentando o peso da rotina, mas quase nunca notado. Não é ausência de…
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Quando você some dos convites, mas continua na lista de favores
Existe um momento em que a vida não avisa que virou. Não tem ruptura, cena dramática, nem data marcada no calendário. Um dia você percebe que a mesa continua posta para muitos, mas seu prato foi ficando num canto. Os encontros seguem acontecendo, as conversas existem em algum lugar, mas a sua presença deixou de…
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Quando o corpo precisa de ajuda e o coração pede desculpa
Há banheiros que guardam histórias inteiras. O banco dentro do box, a barra de apoio na parede, a toalha já dobrada antes da hora, os chinelos alinhados apontando para fora. Tudo organizado como se o corpo ainda pudesse, sozinho, dar conta do trajeto que um dia foi automático. Quando alguém passa a precisar de ajuda…
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Quando o medo de incomodar vira solidão
Há pessoas que ocupam o mínimo de espaço possível na vida dos outros. Sentam na ponta da mesa, falam baixo, seguram a vontade de pedir companhia como quem segura a respiração dentro d’água. Às vezes aceitam metade do convite, metade do prato, metade do tempo. Como se qualquer minuto a mais já fosse abuso. Por…
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Quando tentar de novo já parece alto demais
Há um tipo de cansaço que o sono não resolve. Ele não mora só nas pernas pesadas, nas costas que doem, mas numa espécie de exaustão por dentro. Para muita gente na velhice, é esse cansaço que passa a decidir quase tudo: com quem falar, onde ir, o que aceitar, o que recusar. Não é…
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Quando você começa a encolher a própria vida para não atrapalhar ninguém
Em algum ponto da velhice, muita gente toma uma decisão que não anuncia para ninguém: começa a se empurrar para o canto da própria vida. Como a xícara pequena encostada na beirada de uma mesa grande demais, vai saindo do centro aos poucos, quase invisivelmente. Não porque deixou de amar, não porque não sente falta.…
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Quando só perguntam se você comeu, mas nunca como você está
Chega uma fase da vida em que até o toque do telefone muda de significado. Antes, podia ser convite, novidade, fofoca, riso largo. Aos poucos, as chamadas vão ganhando outro tom: “Já comeu?”, “Tomou o remédio?”, “Caiu?”. A ligação acontece, a preocupação existe, mas algo essencial começa a ficar de fora. Não falta contato. Falta…
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Quando a vida dos outros segue igual com ou sem você
Há um tipo de solidão que não aparece nas estatísticas, nem nas fotos de aniversário. Ela nasce devagar, no dia em que alguém percebe que, com ou sem a sua presença, tudo parece seguir igual. As conversas acontecem, as decisões são tomadas, os encontros se repetem. E a sua existência deixa de ser aquilo que…
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Quando o mundo segue cheio e é você que desaparece
A certa altura da vida, a solidão muda de forma. Ela deixa de ser a cadeira vazia na mesa do almoço e passa a ser outra coisa: a cadeira ocupada, mas que ninguém mais repara. A pessoa continua ali, no mesmo canto da sala, no mesmo grupo de família, na mesma casa de sempre. Mas,…
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Quando a vida dos outros segue e você sente que ficou parado
Há uma solidão que não faz escândalo. Ela se instala devagar, entre um “depois a gente se fala” e um “essa semana está corrida”. Por fora, tudo parece normal: notificações, grupos, fotos novas de gente sorrindo em lugares iluminados. Por dentro, a sensação é de relógio parado em uma casa onde o mundo, lá fora,…
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Quando o idoso começa a pedir desculpa por existir
Há um momento em que o corpo começa a pedir ajuda e, quase ao mesmo tempo, a boca começa a pedir desculpa. Não aparece de uma vez. Surge em frases pequenas, jogadas no ar: “eu sei que dou trabalho”, “desculpa incomodar”, “vocês já fazem demais por mim”. Do lado de fora, parece gentileza. Por dentro,…
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Quando a rua vai ficando longe demais para quem envelhece
Há uma diferença entre escolher ficar em casa e descobrir, um dia, que a rua já não é mais sua. Para muita gente que envelhece, essa linha é atravessada devagar: primeiro por cuidado, depois por medo, por fim por estranhamento. Quando se percebe, o mundo de fora ficou longe demais para os pés que um…
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O idoso que engole a própria dor para não perder o pouco que ainda tem
Há dores que não aparecem em exame nenhum. Elas se sentam à mesa, ajudam a dobrar roupa, sorriem para a câmera nas festas de família. Estão ali, quietas, dentro de quem aprendeu a engolir tudo o que sente para não balançar o pouco que ainda tem: algumas visitas, um telefonema esporádico, um almoço de domingo…
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Quando ‘poupar o idoso’ vira deixar que a imaginação faça o pior
Há casas em que a verdade não some. Ela apenas troca de cômodo. As conversas difíceis migram para o corredor, para a cozinha, para a varanda. A porta do quarto fica semiaberta, a luz vaza pela fresta, os sussurros são cortados quando alguém mais velho se aproxima. Em cima da mesa, a chave segue ali,…
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O idoso que vive em modo de espera mesmo com casa cheia
Há uma imagem que não aparece nas fotos de família: a sala cheia, barulho de panela na cozinha, netos correndo pelo corredor, televisão ligada em algum canal de notícias. No meio de tudo, alguém mais velho, sentado no mesmo lugar de sempre, com o corpo presente e o pensamento um pouco distante. Por dentro, essa…
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Quando o idoso vira visita dentro da própria vida
Há uma cena que não sai no álbum de família: a pessoa que envelheceu continua morando na mesma casa, nos mesmos cômodos, com os mesmos móveis ao redor. Mas, por dentro, algo mudou de lugar. Ela já não se sente da casa. É como se passasse a ocupar uma poltrona fixa, enquanto a vida real…
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Quando o corpo pede calma e o mundo continua correndo
Há um momento em que o mundo não muda, mas a forma de habitá-lo muda por dentro. A rua é a mesma, o ponto de ônibus é o mesmo, a escada do prédio é a mesma. O que se altera é o corpo que sobe, que espera, que atravessa. De repente, o que antes era…
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A pressa que chega tarde: quando o medo não é morrer, é não ter falado a tempo
Em algum momento da velhice, o relógio deixa de ser apenas objeto de hora certa e vira companhia silenciosa. Ele está ali na estante, no criado-mudo, na tela do celular, marcando minutos iguais a todos os outros, mas carregando um peso diferente: já não se trata apenas de organizar o dia, e sim de medir…
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Quando você envelhece dentro da família, mas a conversa segue sem você
Há uma cena que se repete em muitas casas: a mesa cheia, a televisão ligada ao fundo, vozes cruzadas falando de contas, planos, notícias. No canto, a xícara do mais velho. Ele ouve tudo, acompanha com o olhar, às vezes arrisca um comentário que se perde no meio de outro assunto. A vida segue acontecendo…
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Quando o mundo faz barulho demais e, ainda assim, você se sente sozinho
Há dias em que o mundo parece uma sala cheia de rádios ligados ao mesmo tempo. Vozes, notificações, recados, demandas. Tudo em volume alto. Por fora, é movimento, conversa, convivência. Por dentro, um silêncio que não encontra palavra certa para ser dito. Nem sempre a solidão aparece na imagem clássica do quarto vazio. Ela também…
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Quando você cabe em todos os lugares, mas não pertence a lugar nenhum
Há uma solidão que não aparece nas fotos. Ela está em quem sorri nos aniversários, participa das reuniões, responde às mensagens no grupo, mas volta para casa com a sensação de que vive sempre ligeiramente de lado. Como aquela cadeira que encaixa em qualquer sala, mas nunca parece realmente fazer parte de nenhuma. Essa solidão…
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Quando depender de ajuda começa a dar vergonha
Há um momento em que o corpo, que por décadas respondeu sem questionar, começa a negociar cada gesto. Levantar da cadeira exige pausa. O banho, antes automático, vira tarefa planejada. A mão, que já assinou tantos papéis com firmeza, agora treme diante de uma simples caneta. A imagem poderia ser uma cadeira simples, sustentada por…
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Quando o mundo de quem envelhece cabe quase só dentro de casa
Há vidas inteiras que hoje cabem em poucos cômodos. A casa pequena, nítida, como se fosse o último contorno firme num mundo que foi perdendo cor. Do lado de dentro, remédios alinhados, horários repetidos, objetos no mesmo lugar há anos. Do lado de fora, um entorno cada vez mais esmaecido: o banco da praça que…
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O silêncio de quem envelhece para não dar trabalho
Há casas em que o tempo parece falar mais baixo. A cozinha está em ordem, o pano de prato dobrado, a xícara de chá cheia, fumegante, esperando ser bebida com calma. Ao lado, um telefone no gancho, alinhado, quieto. A cena passa a impressão de que está tudo sob controle. Mas, muitas vezes, por trás…
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A solidão de quem envelhece num mundo apressado
Há um banco de praça parado diante de uma rua em movimento. Ele não tem pressa, não tem horários, não recebe notificações. Apenas está. Ao fundo, tudo passa rápido: luzes, motores, passos curtos, compromissos. O banco permanece nítido enquanto o resto vira borrão. Para muita gente que envelhece, a sensação é parecida. O corpo desacelera,…
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A solidão de ver os caminhos se desenparelharem
Há vínculos que acabam em portas batendo, palavras duras, bloqueios visíveis. E há os outros: os que não acabam, mas mudam discretamente de lugar. Continuam ali, com lembranças, datas importantes, mensagens ocasionais. Só que, por dentro, já não caminham ao lado do que a sua vida está se tornando. A imagem é simples: duas estradas…
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Quando a vida começa a parecer dispensável
Há um tipo de cansaço que não tem a ver com sono, nem com excesso de tarefas. É o cansaço de olhar ao redor e, em algum lugar muito íntimo, suspeitar que a sua presença não altera nada. Como se o mundo continuasse exatamente igual, com ou sem você. A imagem é discreta: uma fileira…
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A solidão de quem não está realmente visto
Há cenas que, vistas de fora, parecem retrato de pertencimento: a mesa cheia, as cadeiras ocupadas, o barulho de talheres, algum riso espalhado pelo ambiente. Quem olha rápido pensa: aqui não falta nada. Mas há sempre uma cadeira um pouco mais afastada. Não é distância física suficiente para chamar atenção, é só um meio passo…
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Quando o próprio corpo começa a parecer espaço demais
No chão, um tapete simples perto da porta. Três pares de chinelos alinhados, lado a lado, prontos para o ir e vir cotidiano. Um pouco afastado, quase encostado na parede, um único chinelo avulso, virado de lado. Ao lado dele, uma bengala encostada discretamente. A cena é silenciosa, mas sugere muito: há um corpo ali,…
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Quando a própria casa começa a tratar você como visitante
A mesa de jantar está posta perto da janela. Quatro jogos americanos, três pratos, três copos, talheres alinhados. No quarto lugar, apenas o tecido marcando a posição e a cadeira encostada certinha, sem prato, sem copo, sem gesto que a convoque. Ao fundo, a estante baixa com o vaso, os poucos livros, tudo no mesmo…
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Quando a vergonha de começar a esquecer isola quem sempre deu conta de tudo
Sobre a mesa pequena encostada na parede, um caderno aberto mostra algumas datas anotadas e muitas linhas em branco. Um lápis atravessado repousa sobre a página, como se tivesse parado no meio do gesto. Ao lado, um molho de chaves com uma etiqueta presa — vazia, sem nenhuma palavra. A cena parece banal, mas conta…
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Quando a dor é nunca se sentir prioridade na vida de ninguém
Na estante baixa, duas prateleiras. Em cima, dois vasos iguais com flores vivas, abertas, bem à vista. Embaixo, um terceiro vaso, do mesmo tamanho, com uma flor menor, empurrada mais para o canto, parcialmente escondida por um livro deitado. A cena é simples, quase inocente. Mas, para muita gente, parece retrato fiel do lugar que…
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Quando a dor é não se sentir esperado em canto nenhum
Na entrada de algumas casas, o cenário se repete: um cabideiro com três ganchos, dois casacos pendurados, um espaço vazio no meio. Logo abaixo, um banco simples e um par de sapatos alinhado, prontos para sair. Tudo em ordem, tudo no lugar. E, ainda assim, uma pergunta pairando no ar: sair para onde, se em…
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Quando a solidão é não se sentir esperado em canto nenhum
Na entrada da casa, um cabideiro de parede segura três ganchos. Em dois, casacos pendurados, cheios de uso. No do meio, nada. Abaixo, um banco simples e um par de sapatos alinhado, prontos para sair, mas parados. A cena é calma, quase arrumada demais. E, ainda assim, carrega uma pergunta silenciosa: ir para onde, se…
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Quando não ser lembrado vira prova, por dentro, de que você não faz falta
Na parede, três porta-chaves dividem a mesma prateleira. Dois estão cheios de chaveiros: barulho de ida e vinda, de portas que se abrem, de rotinas marcadas. No terceiro, o gancho vazio. Abaixo, sobre a mesinha simples, um bloco de recados: o primeiro papel com um único nome sublinhado, os outros em branco, esperando um uso…
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Nem todo medo de envelhecer é vaidade
Há um espelho apoiado sobre a cômoda. A moldura é simples, a superfície limpa. Diante dele, um pente e um frasco de creme fechados, intocados. Ao lado, um calendário de papel com vários dias já riscados, formando uma espécie de caminho em direção a um ponto que ninguém nomeia em voz alta. No reflexo, não…
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Não Tenha Medo do Tempo
Não Tenha Medo do Tempo: 4 Mentalidades Para Envelhecer com Alegria e Poder Você já sentiu que as perspectivas de futuro estão diminuindo? Que as portas se fecham lentamente e a vida perde um pouco do brilho a cada ano que passa? Para muitas pessoas, especialmente mulheres, o envelhecimento chega carregado de medo e uma…