Dinheiro & Direitos 22 de outubro de 2026

26,5% dos idosos de 60 anos ou mais estão na força de trabalho em SP, aponta Seade

Dados da Fundação Seade revelam que mais de um quarto dos idosos paulistas estavam na força de trabalho em 2026, com crescimento de 26% na ocupação desde 2019.

Quantos idosos de 60 anos ou mais trabalham em São Paulo?

Das cerca de 8,3 milhões de pessoas com 60 anos ou mais que vivem no Estado de São Paulo, 2,2 milhões, ou 26,5%, estavam na força de trabalho no segundo trimestre de 2026. Os dados são de pesquisa da Fundação Seade, com base na PNADC do IBGE. Desse total, 97% estavam ocupados e apenas 3% desocupados.

O crescimento de idosos no mercado de trabalho paulista

Entre o segundo trimestre de 2019 e o mesmo período de 2026, o número de idosos ocupados cresceu 26% no Estado de São Paulo, o equivalente a 441 mil pessoas a mais trabalhando. Esse aumento foi maior do que o registrado para o conjunto da população ocupada, que cresceu 10,3% no mesmo período.

O crescimento foi especialmente expressivo entre as mulheres idosas: 31,3% de aumento na ocupação, contra um ritmo menor entre os homens.

Diferenças por faixa etária e sexo

Na faixa de 60 a 69 anos, 53,4% dos homens participavam da força de trabalho, praticamente o dobro da fatia registrada entre as mulheres, de 28,8%. Entre as pessoas com 70 anos ou mais, as proporções eram de 17,4% entre os homens e 5,8% entre as mulheres.

Trabalho por conta própria é a forma de ocupação predominante

O trabalho por conta própria era a principal forma de ocupação dos idosos: 40,2% dos ocupados com 60 anos ou mais estavam nessa condição no segundo trimestre de 2026. Entre os que tinham 70 anos ou mais, essa proporção chegava a 53,9%.

Ao mesmo tempo, a proporção de empregados com carteira assinada também cresceu. Entre os homens idosos, passou de 20,9% para 27,3%. Entre as mulheres, de 11,2% para 20,6%.

Rendimentos médios: idosos lideram entre todas as faixas etárias

Segundo a pesquisa, os idosos apresentavam os maiores rendimentos médios do trabalho entre todas as faixas etárias, embora os valores tenham caído em termos reais no período analisado. No segundo trimestre de 2026, os homens com 60 anos ou mais recebiam, em média, R$ 5.612,38 por mês. As mulheres recebiam, em média, R$ 4.137,34.

Considerando o rendimento por hora, os homens registravam R$ 35,17 e as mulheres, R$ 29,85. Entre os trabalhadores com 70 anos ou mais, os valores eram ainda maiores: R$ 43,93 para homens e R$ 37,98 para mulheres.

Setor de serviços é o principal empregador dos idosos paulistas

Os serviços eram os principais empregadores da população idosa nos dois períodos analisados. No segundo trimestre de 2026, o setor respondia por 51,8% das ocupações das mulheres com 60 anos ou mais e por 45% das ocupações dos homens na mesma faixa.

Chefes de domicílio predominam entre os idosos trabalhadores

Os chefes de domicílio compunham a maior parcela dos idosos no mercado de trabalho, tanto entre homens quanto entre mulheres. Entre as mulheres, essa proporção cresceu de 52,9% para 57,6% entre 2019 e 2026. Entre os homens, houve leve queda, de 70,1% para 64,2%.

O que esses números revelam sobre o trabalho 60+ em São Paulo

Os dados da Fundação Seade traçam um retrato claro: adultos com 60 anos ou mais não estão saindo do mercado de trabalho. Estão entrando em maior número, com mais carteira assinada do que antes, liderando em rendimento médio por hora e respondendo por uma fatia crescente da força de trabalho paulista. O envelhecimento demográfico não se traduz, neste cenário, em ausência produtiva. Traduz-se em permanência.

A aposentadoria que não veio: o que os números do trabalho 60+ dizem sobre o Brasil que está sendo construído

Existe uma imagem muito difundida sobre o que acontece depois dos 60 anos. A pessoa trabalha a vida toda, chega a uma certa idade, se aposenta, e sai de cena. A cena passa para os jovens. O script é esse.

Os dados da Fundação Seade sobre o mercado de trabalho paulista não contradizem esse script com heroísmo. Contradizem com números frios: no segundo trimestre de 2026, 2,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais estavam na força de trabalho no Estado de São Paulo. Isso representa 26,5% de todas as pessoas nessa faixa etária que vivem no estado.

Não é uma minoria resiliente. É mais de um quarto de um universo de 8,3 milhões de pessoas.

O dado mais significativo, talvez, não seja o percentual em si, mas a trajetória. Entre 2019 e 2026, o número de idosos ocupados cresceu 26% em São Paulo, ritmo duas vezes e meia maior do que o crescimento verificado na população ocupada como um todo. Esse ritmo foi ainda mais intenso entre as mulheres idosas, com crescimento de 31,3%.

Isso não é coincidência. É uma curva demográfica, econômica e cultural se manifestando ao mesmo tempo.

O perfil que emerge dos dados é multifacetado. A forma predominante de ocupação é o trabalho por conta própria, que concentrava 40,2% dos ocupados com 60 anos ou mais e chegava a 53,9% entre os de 70 ou mais. Mas o trabalho com carteira assinada também cresceu, tanto entre homens quanto entre mulheres, sinalizando que não se trata apenas de informalidade por falta de opção.

Por outro lado, os idosos apresentavam os maiores rendimentos médios do trabalho entre todas as faixas etárias. Os homens recebiam, em média, R$ 5.612,38 por mês; as mulheres, R$ 4.137,34. O rendimento por hora dos trabalhadores com 70 anos ou mais era o mais alto de toda a força de trabalho analisada: R$ 43,93 para homens e R$ 37,98 para mulheres. Isso sugere que, pelo menos em parte, trata-se de trabalho qualificado e valorizado pelo mercado, não apenas ocupação de subsistência.

A presença predominante de chefes de domicílio entre os idosos trabalhadores, especialmente entre as mulheres, cuja proporção cresceu de 52,9% para 57,6% no período, aponta para outra dimensão: muitos desses trabalhadores são a principal referência financeira de suas famílias.

O setor de serviços aparece como o maior empregador dessa população, tendo ampliado ainda mais sua participação entre as mulheres no período analisado.

O que tudo isso significa? Significa que a linha entre maturidade e produtividade não está onde a narrativa convencional colocou. Significa que o mercado de trabalho paulista está sendo, em parte, sustentado por pessoas que o script social já tinha dado como fora de cena. Significa que a pergunta relevante não é mais se adultos com 60, 70 anos trabalham. A pergunta é: em que condições? Com que proteção? Com que reconhecimento? Com que futuro?

Os dados da Seade não respondem a essas perguntas. Mas eles tornam impossível ignorá-las.


Tinha que ter saído.
Não saiu.

26,5% dos idosos paulistas
estão na força de trabalho.

Mais de dois milhões de pessoas.

O script dizia: aposentadoria.
Os dados dizem: permanência.

Não é exceção.
É um quarto do total.


Fonte / referência: matéria original