Como funciona a nova função do Uber que facilita o embarque de idosos e pessoas com deficiência?
A Uber lançou em 21 de outubro de 2026 um recurso chamado Preferências de Partida. Ele permite que o passageiro configure, diretamente no aplicativo, como quer ser avisado quando o motorista chegar ao ponto de encontro. Também é possível informar dispositivos de mobilidade que o passageiro utilize, como bengala, muletas, andador ou cadeira de rodas. As preferências ficam salvas no perfil e são compartilhadas automaticamente com os motoristas nas viagens compatíveis.
Por que esse recurso existe?
Encontrar o carro solicitado pelo aplicativo pode ser difícil para quem tem deficiência visual, mobilidade reduzida ou dificuldade de comunicação. Antes desse recurso, o passageiro precisava enviar as mesmas orientações ao motorista toda vez que solicitava uma viagem. Agora, essa configuração é feita uma única vez e aplicada automaticamente.
Quais são as formas de sinalização disponíveis?
O passageiro pode escolher entre quatro formas de o motorista sinalizar a chegada:
- Chamada pelo nome
- Contato pelo aplicativo
- Acionamento dos faróis
- Buzina
Um passageiro com deficiência visual pode pedir, por exemplo, que o motorista o chame pelo nome ao chegar. Uma pessoa com dificuldade auditiva pode preferir que o condutor pisque os faróis.
Como informar os dispositivos de mobilidade?
Além da forma de sinalização, o passageiro pode registrar se utiliza óculos escuros, bengala branca, bengala convencional, muletas, andador ou cadeira de rodas. Essas informações ajudam o motorista a identificar o passageiro no ponto de embarque antes mesmo de qualquer contato.
Como ativar as Preferências de Partida no aplicativo?
A configuração é feita diretamente no aplicativo, sem necessidade de contato com o suporte:
- Abra o aplicativo da Uber no celular
- Selecione Preferências de Partida
- Escolha como deseja ser avisado e informe os recursos de mobilidade utilizados, se necessário
As preferências podem ser alteradas ou desativadas a qualquer momento. A liberação do recurso será gradual para usuários de todo o Brasil, portanto algumas contas ainda podem não ter acesso à opção.
O recurso garante veículo adaptado para cadeira de rodas?
Não. A ferramenta é voltada à comunicação e à identificação durante o embarque. Ela não representa a disponibilização automática de veículos adaptados para transportar cadeiras de rodas.
Quais outras funções de acessibilidade o Uber já oferece?
As Preferências de Partida se somam a outras funcionalidades já disponíveis no aplicativo:
- Conta Sênior: interface com letras e ícones maiores, mais simplificada. Familiares podem ajudar a solicitar viagens, gerenciar pagamentos e acompanhar trajetos.
- Leitores de tela: o aplicativo é compatível com TalkBack (Android) e VoiceOver (iPhone) para passageiros com deficiência visual.
- Cão-guia: o passageiro pode registrar essa informação no perfil.
- Isenção de taxa de espera: é possível solicitar isenção ou reembolso quando a pessoa com deficiência precisa de mais tempo para embarcar.
A novidade foi divulgada inicialmente pelo Tecnoblog e as demais funcionalidades estão descritas na página oficial de acessibilidade da Uber.
O embarque como problema: quando a tecnologia ainda não resolveu a parte mais simples da viagem
Há algo quase irônico no fato de que a parte mais difícil de uma viagem de aplicativo não seja o trajeto. Seja o trânsito, o tempo de espera ou o destino. É o momento do encontro. O instante em que o passageiro precisa identificar o carro certo, numa rua movimentada, com motoristas passando, buzinas, outros aplicativos abertos ao mesmo tempo. Para a maioria dos usuários, esse momento é apenas uma micro-fricção. Para quem tem deficiência visual, mobilidade reduzida ou dificuldade de comunicação, esse momento pode ser o motivo de desistir da viagem antes mesmo de ela começar.
A Uber reconheceu esse problema com o lançamento das Preferências de Partida. O recurso parece simples: o passageiro escolhe como quer ser avisado quando o motorista chega, informa se usa bengala, andador, cadeira de rodas ou outros dispositivos de mobilidade, e essas informações ficam salvas no perfil, compartilhadas automaticamente nas viagens seguintes. Sem precisar repetir as mesmas orientações toda vez.
Essa simplicidade é, na verdade, o ponto mais relevante. Não é uma funcionalidade espetacular. É uma funcionalidade que resolve uma fricção real que existia há anos e que, para uma parte significativa dos usuários, tornava o aplicativo menos utilizável do que poderia ser.
Para adultos que usam dispositivos de mobilidade, a lógica anterior exigia um esforço repetido a cada viagem: explicar ao motorista como identificá-los, o que usar como sinal, o que esperar. Era um trabalho de comunicação que o passageiro precisava realizar sozinho, toda vez, para uma coisa que não deveria depender de esforço. O novo recurso tira esse peso.
Há também uma dimensão mais sutil. O adulto 50+ que usa o Uber não quer ser tratado como um caso especial. Quer usar o mesmo aplicativo que todo mundo usa, com configurações que funcionem para ele, sem precisar pedir ajuda ao suporte, sem precisar explicar sua situação em um formulário, sem precisar depender de um familiar para intermediar. As Preferências de Partida funcionam dentro do próprio fluxo do aplicativo, configuráveis pelo próprio usuário, sem cerimônia.
O recurso não resolve tudo. A própria Uber é explícita: as Preferências de Partida não garantem veículos adaptados para transporte de cadeiras de rodas. A ferramenta é de comunicação e identificação, não de logística veicular. Esse limite importa e deve ser dito com clareza.
Mas o que o recurso faz bem é reconhecer que autonomia não é um atributo que alguém tem ou não tem. É algo que a arquitetura de um serviço pode ampliar ou reduzir. Um aplicativo de transporte que não considera como seu passageiro chega ao carro está, na prática, reduzindo a autonomia de quem depende de dispositivos de mobilidade. Um aplicativo que salva essas preferências e as compartilha automaticamente está, na prática, ampliando essa autonomia.
Iso é o que distingue acessibilidade real de acessibilidade decorativa. Não é um ícone de cadeira de rodas na página institucional. É uma configuração funcional, dentro do fluxo normal do aplicativo, que muda o que acontece de verdade no momento do embarque.
Você pede o carro.
Ele chega.
Mas quem te acha?
A Uber agora deixa você escolher:
chamada pelo nome,
faóis piscando,
buzina.
Uma vez configurado.
Sempre salvo.
Sem repetir toda viagem.
O embarque
finalmente
faz parte da viagem.
Fonte / referência: matéria original
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