Dinheiro & Direitos 22 de maio de 2026

Como um processo de coaching levou uma executiva a tomar a decisão de sair

Uma executiva com mais de 25 anos de carreira em multinacionais conta como um processo de coaching, vivido do lado do cliente, foi o que a fez decidir sair. O que isso revela sobre autoconhecimento, mudança e liderança.

Como o coaching pode ajudar adultos a tomar decisões importantes de carreira?

Joana Proença de Carvalho tem mais de 25 anos de experiência em executive search e desenvolvimento de liderança. Passou pela Accenture, pela Heidrick & Struggles, trabalhou no Brasil por cerca de quatro anos e hoje lidera a entrada da Ackermann International em Portugal. Mas foi uma experiência pessoal, do lado de quem recebe o coaching, que marcou um momento decisivo em sua trajetória.

“O primeiro processo de coaching que eu passei enquanto coachee, não como coach, fez-me tomar a decisão de sair da empresa onde estava.” A frase, dita por ela no podcast Querido Líder, da Rádio Observador, resume algo que pouca gente fala em voz alta: o coaching não serve apenas para melhorar performance. Às vezes, serve para clarear o que já estava claro por dentro mas ainda não tinha nome.

O que acontece quando quem conhece o processo vira coachee?

Joana Proença de Carvalho não chegou ao coaching como leiga. Ela já atuava no universo de desenvolvimento de liderança. Quando passou pelo processo do outro lado, como coachee, o resultado não foi a adaptação ao ambiente onde estava. Foi a decisão de partir.

Isso diz algo importante sobre o que o coaching pode fazer: não necessariamente confirmar o caminho que já se está seguindo, mas ajudar a reconhecer quando aquele caminho não é mais o certo.

Curiosidade e aprendizado contínuo como base da liderança contemporânea

No mesmo episódio, Joana fala sobre o perfil de líderes que o mercado busca em um contexto de transformação acelerada pela inteligência artificial. Para ela, não é a competência técnica em IA que mais se valoriza, mas a curiosidade e a capacidade de aprender com rapidez.

“A curiosidade e a capacidade de aprendizagem e a rapidez na procura de conhecimento é muito mais aquilo que se procura nos executivos e nos líderes do que uma competência técnica de inteligência artificial”, disse ela.

Essa visão tem implicações diretas para adultos com trajetórias longas. Experiência acumulada, quando combinada com disposição real para aprender, segue sendo um ativo valorizado. Não é a idade que define o perfil. É a postura.

Uma carreira construída em escala real

A trajetória de Joana Proença de Carvalho inclui passagens por empresas de grande porte em Portugal, na Europa do Sul e na América Latina. Sua experiência no Brasil, onde viveu e trabalhou por cerca de quatro anos a partir de São Paulo, expôs a ela um país que, nas suas palavras, “não se conhece de outra forma”.

Ela descreve viagens de oito horas para chegar a clientes no interior do Pará, passando por rios de barco, cruzando paisagens que não aparecem em nenhum roteiro turístico. Esse tipo de imersão profissional, fora dos circuitos óbvios, moldou sua percepção sobre escala, liderança e adaptação.

O que a experiência dela revela sobre decisões profissionais

Há pelo menos duas ideias que emergem da conversa com Joana e que valem atenção para quem está em algum ponto de inflexão profissional.

  • O coaching pode levar à saída, não apenas à permanência. Clareza sobre si mesmo nem sempre confirma o lugar onde se está.
  • A sorte, como ela mesma diz, dá algum trabalho. A rede que a conectou a um sócio que a conhecia dez anos antes não foi um acidente puro. Foi o resultado de ter deixado boa marca ao longo do caminho.

Joana Proença de Carvalho hoje lidera a operação portuguesa da Ackermann International, multinacional de origem espanhola com 17 anos de história e presença consolidada na América Latina. A empresa atua em executive search e consultoria de recursos humanos.

A conversa completa está disponível no podcast Querido Líder, da Rádio Observador.

A decisão que o coaching revelou

Existe uma ideia sedimentada sobre o que o coaching faz: ele ajuda a pessoa a performar melhor onde já está. A melhorar a comunicação, a afinar a liderança, a encontrar mais eficiência. Essa versão é real. Mas não é a única.

Joana Proença de Carvalho, executiva com mais de 25 anos de carreira em empresas como Accenture e Heidrick & Struggles, e hoje à frente da Ackermann International em Portugal, contou no podcast Querido Líder algo que quase ninguém diz com essa clareza: o primeiro processo de coaching que viveu como coachee a fez decidir sair da empresa onde estava.

Não foi uma crise. Não foi demissão. Foi clareza.

Isso muda o enquadramento inteiro. O coaching não como ferramenta de ajuste ao ambiente, mas como instrumento de confronto honesto com a própria vontade. Quando o processo funciona de verdade, o resultado não é necessariamente ficar. Às vezes é entender que ficar seria o maior desperdício.

Essa distinção importa muito para adultos que chegam à meia carreira ou à maturidade profissional carregando anos de comprometimento com organizações, equipes, funções. A pergunta que raramente se faz em voz alta é: e se o que eu precisasse não fosse melhorar onde estou, mas entender que não é aqui?

Joana também fala, no mesmo episódio, sobre o que o mercado busca nos líderes diante da inteligência artificial. A resposta dela surpreende pela simplicidade: não é domínio técnico. É curiosidade. É disposição para aprender. É a capacidade de buscar conhecimento com rapidez. Essa leitura coloca em perspectiva algo relevante para quem tem longa experiência acumulada: o que envelhece não é a trajetória. O que envelhece é a rigidez.

Sua experiência no Brasil reforça isso. Ela foi para São Paulo contrariada. Voltou mais contrariada ainda, mas no sentido oposto: não queria voltar. Foram quatro anos que a levaram a lugares que nem os brasileiros conhecem, como uma cidade chamada Tailândia, no interior do Pará, a oito horas de São Paulo entre avião, carro e barco. Esse tipo de imersão não cabe em currículo. Fica em outra camada.

O que a trajetória de Joana Proença de Carvalho ilumina não é um modelo a copiar. É uma postura a reconhecer: a de quem não trata a carreira como um trilho fixo, mas como um campo onde a decisão segue sendo sua. Mesmo quando assusta. Especialmente quando assusta.


O primeiro processo de coaching que ela viveu como coachee
não a fez ficar.

Fez ela sair.

Joana Proença de Carvalho tem mais de 25 anos de carreira em grandes consultorias internacionais. Já foi de Portugal ao interior do Pará de avião, carro e barco para atender clientes.

E quando passou por um processo de coaching do lado de quem recebe,
a clareza que chegou não foi sobre como melhorar onde estava.

Foi sobre ir embora.

Às vezes, autoconhecimento não confirma o caminho.
Ele mostra que é hora de abrir outro.


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