Cultura e Lazer 23 de maio de 2026

Corpo-Fantasma: exposição com 36 obras da coleção do Estado abre em Leiria

Com obras de Cindy Sherman, Ana Mendieta e Lourdes Castro, a exposição Corpo-Fantasma ocupa as salas da Villa Portela em Leiria e fica em cartaz até ao final de agosto.

Quais obras estão na exposição de arte contemporânea do Estado em Leiria?

A exposição Corpo-Fantasma reúne 36 obras de 28 artistas da Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE) no Centro de Artes Villa Portela, em Leiria. A inauguração aconteceu nesta sexta-feira, 22 de maio, às 17h, e a mostra fica aberta ao público até ao final de agosto.

Quem são os artistas presentes na exposição?

Entre os nomes selecionados estão Ana Mendieta, Adriana Proganó, Bruno Zhu, Cindy Sherman, João Gabriel, Lourdes Castro, Maria José Palla e Mariko Mori. A curadoria é assinada por Marta Espiridião.

As obras abrangem pintura, escultura, fotografia e vídeo, ocupando várias salas do edifício principal do complexo municipal dedicado à arte contemporânea em Leiria.

O que significa o título Corpo-Fantasma?

Segundo a curadora Marta Espiridião, o título surgiu da percepção de que, em várias obras da coleção, o corpo humano aparece de formas visíveis e também invisíveis, como uma assombração. A exposição propõe o fantasma como metáfora que evoca o que já passou e antecipa o que está por vir.

O percurso pela exposição é livre e não linear. As obras exploram o território entre o visível e o invisível, onde a figura humana se constrói na tensão entre presença e ausência.

Por que a Villa Portela voltou a abrir agora?

O Centro de Artes Villa Portela tinha encerrado em 28 de janeiro após danos graves causados pela depressão Kristin. O mau tempo provocou a queda ou danos em mais de 150 árvores do jardim, algumas delas centenárias, além de estragos nas estruturas e nos espaços expositivos.

Os trabalhos de recuperação incluíram reparação de estruturas, requalificação dos espaços e reposição das condições técnicas necessárias para receber programação cultural. O jardim também passou por intervenção profunda.

Inaugurada como centro de artes em setembro de 2025, a Villa Portela retoma a atividade com uma exposição que, segundo a autarquia, estabelece um diálogo direto com temas como memória, perda e renovação, sublinhando o papel da arte contemporânea como instrumento de reflexão e transformação.

O que mais acontece na reabertura da Villa Portela?

No mesmo dia da inauguração da exposição, às 18h, os Solistas SAMP dão início ao ciclo Serenatas e Divertimentos em Família, junto ao lago do jardim. O programa vai de Mozart à música erudita contemporânea, num repertório apresentado como uma viagem musical.

O que o fantasma vê quando entra numa sala de arte

Há uma estranheza muito particular em visitar uma exposição chamada Corpo-Fantasma num edifício que ele próprio esteve fechado meses, recuperando-se de uma tempestade. A Villa Portela, em Leiria, reabre as portas com 36 obras de 28 artistas da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, e a coincidência entre o tema da mostra e a história recente do espaço não é pequena.

A curadora Marta Espiridião escolheu o título a partir de uma percepção clara: nas obras reunidas, o corpo humano aparecia de formas visíveis e também invisíveis, como uma assombração. Presença e ausência no mesmo quadro. O que ficou e o que passou. O que está e o que pode vir a ser. Esse território é o que a exposição convida a explorar, com um percurso livre e não linear, sem rota obrigatória.

Isso já é, por si só, uma escolha editorial com consequências. Não há uma sequência imposta. O visitante decide como ler as obras. E numa coleção que inclui nomes como Cindy Sherman, Ana Mendieta e Lourdes Castro, a liberdade de percurso não é detalhe: é parte do sentido.

A autarquia de Leiria descreve a exposição como um diálogo com memória, perda e renovação. A frase poderia soar protocolar, mas o contexto da Villa Portela oferece sustentação concreta. O centro de artes foi inaugurado em setembro de 2025 e ficou gravemente afetado pela depressão Kristin poucos meses depois, em janeiro. Mais de 150 árvores do jardim caíram ou foram danificadas, algumas delas centenárias. O espaço que agora reabre carrega, ele mesmo, marcas visíveis de algo que passou.

Nesse sentido, Corpo-Fantasma não é apenas um título curatorial. É uma descrição quase literal do edifício que acolhe a mostra.

Para quem tem cinquenta, sessenta ou mais anos, essa camada de significado não é estranha. Qualquer adulto que já se moveu por décadas sabe que os lugares guardam histórias que não aparecem nas paredes. Sabe que um jardim com árvores centenárias caídas não é apenas um problema de logística municipal. Sabe que recuperar um espaço cultural é também recuperar algo que a cidade usa para pensar sobre si mesma.

A programação de reabertura inclui ainda um espetáculo dos Solistas SAMP no jardim recuperado, com repertório que vai das serenatas de Mozart à música erudita dos nossos dias. Arte visual dentro, música fora, ao lado do lago. Uma tarde que parece desenhada para quem ainda acredita que uma cidade se mede também pelo que oferece às cinco da tarde de uma sexta-feira.

O que Corpo-Fantasma propõe, no fundo, é simples: que a arte pode dar forma ao que é difícil nomear. O que ficou de uma perda. O que sobreviveu ao mau tempo. O que uma figura humana é quando não está inteira na tela. Não há resposta definitiva. Há 36 obras e um percurso que cada um faz do seu jeito.


Uma tempestade fechou o centro de artes.
Caíram mais de 150 árvores, algumas centenárias.
O jardim ficou em silêncio por meses.

Agora a Villa Portela reabre em Leiria
com uma exposição chamada Corpo-Fantasma.
36 obras. 28 artistas. Um percurso livre.

O fantasma, aqui, não é assustador.
É o que ficou.
E o que ainda está por vir.


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