Dia-a-dia 19 de setembro de 2026

Brasileira de 74 anos lança em Paris livro que propõe nova etiqueta para a era digital

Depois de mais de quatro décadas estudando etiqueta, a consultora Angela Pimentel levou sua obra a Paris com uma proposta: tirar a etiqueta do passado e colocá-la no centro das relações digitais.

O que significa ter etiqueta na era digital?

Por décadas, etiqueta foi sinônimo de formalidade, regras de mesa e protocolos sociais de outro tempo. Angela Pimentel, escritora e consultora brasileira com mais de quarenta anos dedicados ao tema, propõe uma revisão dessa ideia. Para ela, etiqueta é uma ferramenta viva, capaz de ajudar as pessoas a navegarem pelas relações contemporâneas, incluindo as que acontecem nas telas.

Em setembro de 2025, Angela levou essa proposta a um dos lugares mais simbólicos para discutir convivência e códigos sociais: Paris. A versão francesa de sua obra Um Convite à Etiqueta, intitulada Une Invitation à l’Étiquette, foi apresentada no dia 5 de setembro no Hotel Marignan Champs-Élysées, em uma noite de autógrafos que reuniu aproximadamente 50 convidados, entre jornalistas, influenciadores, empresários, profissionais do mercado de luxo e representantes da comunidade brasileira na França.

Por que Paris?

A escolha não foi apenas simbólica. Paris é reconhecida por sua tradição de savoir-vivre, a arte de bem viver, e por sua influência histórica sobre os códigos sociais do Ocidente. Para Angela, o encontro entre essa tradição e uma reflexão brasileira sobre o presente era o cenário certo para apresentar a proposta do livro.

“Levar este livro a Paris representa o encontro entre uma tradição histórica e uma reflexão muito atual. A etiqueta não pode permanecer presa ao passado. Ela precisa nos ajudar a lidar com as relações, a tecnologia, as diferenças culturais e as novas formas de comunicação”, afirmou a autora.

O que o livro propõe sobre convivência digital

A obra não apresenta uma lista de regras rígidas. O que Angela defende é uma atualização dos códigos de convivência para os desafios que a vida contemporânea impõe, entre eles a comunicação digital, as diferenças culturais amplificadas pelas redes e as novas formas de relacionamento mediadas pela tecnologia.

A ideia central é que etiqueta não é sobre aparência ou status. É sobre facilitar a convivência, reduzir mal-entendidos e criar conexões mais respeitosas, seja em uma mesa de jantar ou em uma troca de mensagens.

Uma autora brasileira de 74 anos no coração da Europa

Angela Pimentel tem 74 anos e construiu sua trajetória como referência em etiqueta e comportamento no Brasil. Levar sua obra a Paris em versão francesa é também um gesto editorial sobre quem tem o que dizer sobre os códigos sociais do presente.

O lançamento aconteceu em um hotel de grande classe com vista para a Torre Eiffel, reunindo um público diverso que incluía desde profissionais do mercado de luxo até membros da comunidade brasileira radicada na França.

Etiqueta digital importa para adultos 50+?

A pergunta tem uma resposta direta: sim. Adultos com mais de 50 anos estão entre os usuários mais ativos de aplicativos de mensagens, redes sociais e plataformas de comunicação. Ao mesmo tempo, convivem com gerações que têm normas diferentes sobre o que é ou não adequado no ambiente digital.

O trabalho de Angela Pimentel aponta para algo que muita gente reconhece no dia a dia: as regras de convivência mudaram, mas ninguém entregou o manual novo. O livro propõe ser, ao menos em parte, esse manual.

Etiqueta sem data de validade

Há uma ironia confortável na trajetória de Angela Pimentel. Quatro décadas ensinando etiqueta, a disciplina que o senso comum associa a um mundo que não existe mais, para chegar a Paris e defender exatamente o contrário: que a etiqueta nunca foi tão necessária quanto agora.

O lançamento da versão francesa de Um Convite à Etiqueta, em setembro de 2025, no Hotel Marignan Champs-Élysées, não foi apenas um evento editorial. Foi um argumento em forma de cerimônia. A escolha de Paris, cidade que durante séculos funcionou como laboratório dos códigos sociais do Ocidente, diz algo sobre a ambição da proposta. Angela não levou um livro de boas maneiras à capital do savoir-vivre. Levou uma pergunta: o que significa se comportar bem quando o mundo mudou de endereço e parte significativa das relações passou a existir nas telas?

A resposta que ela oferece recusa a saudade. A etiqueta que o livro propõe não é aquela dos manuais amarelados, dos garfos dispostos em ordem de uso ou da correspondência formal em papel timbrado. É uma etiqueta que reconhece a tecnologia como ambiente de convivência real, com suas tensões, seus ritmos e seus mal-entendidos específicos.

Isso importa para adultos de todas as gerações, mas tem peso particular para quem formou seus hábitos relacionais antes do smartphone existir. Não por incapacidade. Pelo contrário: quem aprendeu a se comunicar com atenção, espera e presença tem um repertório que as telas, frequentemente, esvaziam. A questão não é aprender do zero. É reconhecer que os contextos mudaram e que parte dos códigos precisa ser revisada.

Angela Pimentel tem 74 anos. Essa informação não é um detalhe biográfico periférico. É parte do argumento. Uma mulher de sua geração, com sua trajetória, propondo ao mundo que a etiqueta acompanhe a tecnologia e as diferenças culturais não é uma concessão ao presente. É a posição de alguém que observou o comportamento humano tempo suficiente para saber que as formas mudam, mas a necessidade de conviver bem permanece.

O livro não chega ao leitor como uma lista de proibições digitais. Chega como um convite, como o próprio título sugere. E convites, ao contrário de ordens, pressupõem que quem os recebe é capaz de decidir o que fazer com eles.


A etiqueta que você aprendeu
não foi errada.

Foi feita para outro mundo.

Esse mundo mudou de endereço.

Parte das conversas
vive agora nas telas.

E os códigos
ninguém distribuiu.


Fonte / referência: matéria original