Cultura e Lazer 20 de maio de 2026

Show de Shakira no Rio: 40% do público tinha mais de 50 anos, revela pesquisa

Uma pesquisa feita durante o megashow de Shakira em Copacabana revelou que a faixa etária acima dos 50 anos foi a mais representativa entre os fãs. O dado reposiciona quem de fato lota os grandes eventos de música ao vivo no Brasil.

Quem estava no show de Shakira em Copacabana? A maioria tinha mais de 50 anos

O megashow de Shakira em Copacabana, realizado em 2 de maio de 2026 dentro do projeto “Todo Mundo no Rio”, reuniu cerca de 2 milhões de pessoas nas areias da praia mais famosa do Brasil. Uma pesquisa feita pelo Terra com 48.202 usuários durante o evento trouxe um dado que contradiz a imagem típica dos shows de pop: a faixa etária acima dos 50 anos foi a mais representativa do público, concentrando 40% da audiência analisada.

Quando se considera o grupo com mais de 40 anos, o número sobe para 63%. A faixa entre 18 e 30 anos ficou em apenas 13%.

Um público solteiro, digitalizado e de alta renda

Além da faixa etária, outros dados chamaram atenção. Segundo o levantamento, 78% dos fãs eram solteiros. O perfil econômico foi predominantemente de classes altas: 46% pertenciam à classe B e 24% à classe A. O estudo classificou esses espectadores como “maduro e digitalizado”.

Os dados de consumo digital reforçam a classificação. Entre os fãs analisados:

  • 97% utilizavam redes sociais tradicionais
  • 96% consumiam redes com foco em vídeo
  • 90% tinham hábito de ouvir streaming de música
  • 82% consumiam streaming de vídeo
  • 72% utilizavam rede 5G ativa

No comportamento financeiro, 82% utilizavam bancos tradicionais, 75% faziam pagamentos digitais e 60% eram usuários de fintechs. Outros 19% tinham perfil de investidores.

Consumo de experiências: viagens, ingressos e muito streaming

O levantamento também mostrou um público com forte apetite por experiências. Cerca de 90% faziam compras pela internet e 48% compravam ingressos para eventos. Na área de viagens, 34% tinham costume de viajar de avião e 27% utilizavam programas de pontos e milhas.

A pesquisa traçou três perfis predominantes entre os presentes no show:

  • Mulheres solteiras, da classe B, fãs da artista desde os anos 1990, com forte consumo de streaming, beleza e viagens;
  • Homens de cerca de 36 anos, da classe A, consumidores de experiências premium;
  • Mulheres de cerca de 45 anos, ligadas a streaming e entretenimento digital.

O show em números

A apresentação reuniu cerca de 2 milhões de pessoas, segundo a Riotur, e contou com participações de Anitta, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Ivete Sangalo, além de espetáculo de drones. Segundo estimativa da Prefeitura do Rio, o evento movimentou cerca de R$ 800 milhões na economia carioca, impulsionando hotelaria, gastronomia, comércio e transporte.

A concentração regional foi marcante: 91% do público veio da região Sudeste, enquanto Sul e Nordeste representaram 3% cada.

O que os dados dizem sobre o público 50+

O resultado da pesquisa coloca em questão um pressuposto comum sobre quem frequenta grandes shows de música pop. O público adulto acima dos 50 anos não apenas esteve presente em Copacabana: foi o grupo majoritário. Com alto consumo digital, renda elevada e disposição para investir em experiências ao vivo, esse grupo redefine quem são os grandes consumidores de entretenimento cultural no Brasil.

O público que ninguém esperava na areia

Quando 2 milhões de pessoas ocuparam a orla de Copacabana para o show de Shakira, em 2 de maio de 2026, a imagem que circulou pelo mundo foi a de uma multidão vibrante, colorida e apaixonada. O que a pesquisa feita pelo Terra com quase 50 mil usuários durante o evento revelou, porém, foi algo que poucos imaginariam antes de ver os dados: a maior fatia daquele público tinha mais de 50 anos.

Quarenta por cento da audiência analisada estava nessa faixa etária. Quando se soma quem tinha mais de 40, o número chega a 63%. A faixa de 18 a 30 anos, geralmente associada ao coração dos shows de pop, ficou em 13%.

Há uma narrativa cultural muito bem estabelecida sobre quem frequenta shows de artistas globais. Ela costuma ter rosto jovem, roupas coloridas, e uma certa urgência que se atribui apenas aos que estão descobrindo o mundo. Essa narrativa ignora sistematicamente um dado simples: as pessoas que acompanharam Shakira desde os anos 1990 hoje têm entre 40 e 60 anos. Elas cresceram ouvindo aquelas músicas. Elas foram ao show porque queriam estar lá, não porque alguém as levou.

O levantamento descreveu esse público como “maduro e digitalizado”. A expressão merece atenção. Madura porque tem trajetória, critério e renda. Digitalizada porque 97% usavam redes sociais, 96% consumiam vídeo online, 90% ouviam streaming de música e 72% navegavam em rede 5G. Esse não é o perfil de quem está sendo introduzido à tecnologia com paciência. É o perfil de quem já incorporou o digital à sua rotina como ferramenta de consumo, comunicação e prazer.

O recorte econômico reforça outra dimensão ignorada com frequência. Setenta por cento do público pertenciam às classes A e B. Dezenove por cento tinham perfil de investidores. Trinta e quatro por cento viajavam regularmente de avião. Quarenta e oito por cento compravam ingressos para eventos online. Esse é um consumidor exigente, com capacidade financeira real e disposição clara para gastar com o que lhe dá prazer.

A tensão que a pesquisa expõe não é entre jovens e velhos. É entre a realidade do mercado de entretenimento e as suposições que ainda orientam parte da comunicação cultural no Brasil. Shows de grande escala, festivais, apresentações internacionais: esses produtos têm no público maduro um dos seus maiores sustentáculos econômicos. E esse público, conforme o dado de Copacabana, vai lá, fica até o fim, compartilha nas redes e já comprou o próximo ingresso antes de sair.

A presença do público 50+ no show de Shakira não é uma curiosidade estatística. É um retrato de como adultos com trajetória cultural acumulada consomem entretenimento com a mesma intensidade, a mesma exigência e o mesmo prazer de sempre. Com mais dinheiro no bolso. E sem pedir licença para ninguém.


2 milhões de pessoas em Copacabana.
Show de Shakira.
Maior parte do público: acima de 50 anos.

40% da audiência analisada estava nessa faixa etária.
63% tinham mais de 40 anos.
Os jovens de 18 a 30 anos? 13%.

O público era solteiro, digitalizado, das classes A e B.
97% usavam redes sociais.
90% ouviam streaming de música.
34% viajavam de avião regularmente.

A pesquisa chamou esse grupo de “maduro e digitalizado”.

Fez bem.


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