Zema é alvo de ação por fraude, trabalho escravo e crédito abusivo a aposentados

Aposentado no tribunal

Quais são as acusações contra o governador Zema envolvendo aposentados, fraude na educação e trabalho escravo?

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou três notícias de fato contra Romeu Zema, a Zema Financeira e o Grupo Zema, pedindo investigação sobre contratos milionários na área de educação, trabalho em condição análoga à escravidão e oferta abusiva de crédito consignado a aposentados, pensionistas e beneficiários do INSS. As representações foram encaminhadas à Procuradoria-Geral da República e ao Ministério Público do Trabalho, com cópias ao Banco Central, ao INSS, à SENACON e a outros órgãos de controle.

Em resumo: o deputado Rogério Correia acionou a PGR e o MPT com três denúncias distintas contra Zema e empresas do grupo familiar. As acusações envolvem contratos de material didático de aproximadamente R$ 848,8 milhões com suspeita de fraude, jornadas de trabalho de até 19 horas diárias impostas a 22 motoristas em Araxá e práticas abusivas de crédito consignado contra idosos e aposentados vinculados ao INSS. O objetivo é apurar responsabilidades civis, administrativas e eventualmente criminais.

O que diz a primeira acusação sobre contratos de educação?

A primeira representação aponta contratos de material didático que somam aproximadamente R$ 848,8 milhões firmados durante a gestão Zema em Minas Gerais com a empresa Fazer Educação, anteriormente chamada Sudu Tecnologia Educacional. Segundo a matéria, essa empresa já é investigada em outro estado por suspeita de fraude em licitação. A representação sustenta que a contratação deve ser investigada em razão do alto valor, da adesão a atas de registro de preços, da possível ausência de planejamento pedagógico e da relação com contratos semelhantes firmados anteriormente no Pará.

O que diz a segunda acusação sobre trabalho análogo à escravidão?

A segunda notícia de fato pede que o Ministério Público do Trabalho investigue a responsabilidade do Grupo Zema no caso de 22 motoristas que prestavam serviços vinculados ao Centro de Distribuição e Apoio do grupo, em Araxá. Segundo informações veiculadas na imprensa e citadas na representação, esses trabalhadores eram submetidos a jornadas de até 19 horas diárias, condição que caracteriza trabalho análogo à escravidão.

O que diz a terceira acusação sobre aposentados e crédito consignado?

A terceira ação tem como alvo a Zema Financeira, empresa ligada ao grupo familiar do ex-governador, e pede investigação sobre a oferta de crédito consignado, portabilidade e descontos diretos em benefícios do INSS. O texto da representação aponta risco concreto de práticas abusivas contra idosos, aposentados, pensionistas e famílias em situação de vulnerabilidade. O caso é especialmente relevante para quem depende do benefício previdenciário como única fonte de renda.

O que a matéria mostra

A matéria, publicada pelo Diário do Centro do Mundo, informa que as três notícias de fato foram protocoladas pelo deputado Rogério Correia com o objetivo de apurar responsabilidades civis, administrativas e eventualmente criminais. O texto cita declaração do próprio deputado: ‘Zema vende a imagem de eficiência, mas o que aparece ao abrir as contas é suspeita de fraude em contratos públicos, trabalho escravo e exploração de aposentados. É preciso investigar quem, ao que tudo indica, escolheu o lucro em detrimento das pessoas e do erário.’

A matéria esclarece que as representações foram encaminhadas à PGR, ao MPT e, em cópia, ao Banco Central, ao INSS e à SENACON. Nenhuma decisão judicial ou condenação é mencionada no texto. As acusações descritas são objeto de pedido de investigação e ainda aguardam análise dos órgãos competentes.

Para aposentados e pensionistas, a situação reforça a importância de verificar os descontos realizados diretamente nos benefícios do INSS e de acionar os canais de defesa do consumidor diante de cobranças não reconhecidas. A SENACON é um dos órgãos que recebeu cópia das representações, o que indica que o caso já está no radar dos órgãos de proteção ao consumidor.

Quando o dinheiro dos aposentados financia a imagem de quem os explora

Há uma contradição que o tempo não apaga: a de quem governa em nome do povo enquanto, segundo as acusações apresentadas, permite que empresas do próprio grupo familiar lucrem com o desconto direto no benefício de idosos. A fraude contra aposentados, quando acontece, não é apenas financeira. É uma subtração de dignidade. Porque o benefício do INSS, para muitos, não é complemento de renda. É a renda.

O deputado Rogério Correia protocolou três notícias de fato contra Romeu Zema, a Zema Financeira e o Grupo Zema. Três frentes, três categorias de dano: o dinheiro público desviado em contratos de educação de quase R$ 848,8 milhões, o corpo do trabalhador consumido em jornadas de 19 horas diárias e o crédito que devora o benefício de quem mais precisa. Cada uma dessas frentes, isolada, já seria grave. Juntas, formam um retrato que a investigação precisará confirmar ou desmentir.

O crédito consignado ofertado a aposentados e pensionistas vulneráveis é o ponto que mais diz sobre a relação entre poder econômico e fragilidade humana. Quando uma financeira ligada ao grupo familiar de um governador oferta produtos financeiros diretamente descontados do benefício previdenciário de idosos, a pergunta que fica não é técnica. É moral. Quem protege quem deveria ser protegido?

A exploração do trabalho análogo à escravidão aparece como o outro extremo da mesma lógica. Vinte e dois motoristas em Araxá, segundo a matéria, eram submetidos a jornadas de até 19 horas. Não é dado abstrato. É noite e dia dentro de um veículo, sem margem para o que quer que seja chamado de vida. O Ministério Público do Trabalho foi acionado para investigar a responsabilidade do Grupo Zema nessa situação.

E há ainda os contratos de material didático. Quase R$ 848,8 milhões firmados com uma empresa já investigada em outro estado por suspeita de fraude em licitação. A educação pública como negócio não é novidade. Mas quando o valor é dessa magnitude e a empresa já carrega suspeita de outro estado, a coincidência pede explicação.

O que une as três representações é a mesma estrutura: o uso de posição privilegiada para extrair valor de quem tem menos capacidade de resistir. Contratos públicos, trabalhadores sem proteção e aposentados endividados são partes diferentes de um mesmo mapa. Rogério Correia pediu investigação. Os órgãos acionados vão apurar. O que a sociedade faz com essa informação, enquanto isso, é uma escolha que não depende de decisão judicial.

A imagem de eficiência, como o próprio deputado disse na declaração citada pela matéria, é uma das mercadorias mais lucrativas da política contemporânea. Ela resiste enquanto as contas permanecem fechadas. Quando alguém as abre, o que aparece raramente é eficiência.


O benefício do INSS de um aposentado
não é sobra.
É o que ele tem.

E é exatamente aí que uma financeira
ligada ao grupo familiar de um governador
estaria atuando,
segundo acusações protocoladas na PGR e no MPT.

O deputado Rogério Correia apresentou
três notícias de fato contra Zema,
a Zema Financeira
e o Grupo Zema.

Contratos de material didático
de quase R$ 848,8 milhões
firmados com empresa já investigada
em outro estado por suspeita de fraude.

Vinte e dois motoristas em Araxá
submetidos a jornadas de até 19 horas diárias.
O nome disso, no direito brasileiro,
é trabalho análogo à escravidão.

E crédito consignado
ofertado diretamente a idosos,
aposentados e pensionistas do INSS,
com desconto direto no benefício.

Três frentes.
Três categorias de dano.
Um pedido de investigação
ao Banco Central, ao INSS e à SENACON.

Nenhuma condenação ainda.
Mas as perguntas já estão feitas.

E a mais incômoda delas é simples:
quando o governador é dono de financeira
que desconta direto no benefício de aposentados,
quem protege quem deveria ser protegido?


Fonte / referência: matéria original

vovo

Maria José é o pseudônimo literário que inspira os textos do projeto Os Avós do Brasil. Sua escrita observa o cotidiano com calma e registra aquilo que normalmente não vira estatística: memória, silêncio e presença.

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